
O número de recuperações judiciais no Brasil deve permanecer em patamares recordes pelos próximos 12 a 24 meses. A avaliação é de Bruno Gomes, sócio e head da estratégia de distressed e special situations da JiveMauá, em entrevista concedida ao InfoMoney durante a Expert XP 2026.
Segundo o especialista, o atual cenário macroeconômico continua impondo desafios relevantes às empresas, que precisam equilibrar despesas e investimentos em um ambiente marcado por juros elevados e retração da oferta de crédito tradicional.
Embora existam empresas com operações saudáveis, muitas enfrentam crises de liquidez provocadas pelo elevado custo da dívida e pelo maior grau de cautela do mercado financeiro. Para Gomes, setores como varejo, infraestrutura e agronegócio estão entre os mais vulneráveis ao atual contexto econômico e fiscal.
De acordo com a análise, parte desse cenário é consequência do breve ciclo de redução dos juros registrado em 2023. Naquele período, diversas empresas aproveitaram para reperfilar dívidas e contratar novas operações de crédito. Com a retomada da alta da taxa de juros, essas companhias passaram a enfrentar um custo financeiro mais elevado justamente em um momento de redução da liquidez por parte dos bancos.
Dados da Febraban citados na reportagem mostram que a concessão líquida de crédito diminuiu, movimento acompanhado pela queda no volume de emissões no mercado de capitais. Segundo Gomes, após uma série de eventos de crédito, investidores passaram a adotar uma postura mais conservadora, restringindo a oferta de recursos inclusive para empresas com boa geração de caixa.
"É um efeito de cauda longa por causa do juro alto, por muito tempo. A liquidez do mercado vai empurrar várias empresas, que são boas e que normalmente conseguiriam renegociar dívidas, para irem por esse caminho da recuperação judicial e extrajudicial", afirmou.
A reportagem também destaca que fatores como inflação, incertezas fiscais e o cenário econômico internacional ampliam os desafios para as empresas. Questões geopolíticas, políticas tarifárias e impactos sobre preços de petróleo, fretes e fertilizantes também contribuem para pressionar diferentes segmentos da economia.
No varejo, a combinação entre falta de liquidez e avanço da inadimplência tem aumentado a pressão financeira sobre as empresas. Já no setor de infraestrutura, a principal dificuldade está na renegociação e rolagem dos passivos. No agronegócio, a queda do preço da soja, somada aos custos elevados de produção e ao ciclo prolongado de juros altos, tem contribuído para o crescimento dos pedidos de recuperação judicial.
Diante desse cenário, cresce também a atuação dos fundos especializados em situações especiais, que oferecem capital para empresas com dificuldades financeiras, desde que apresentem capacidade operacional e garantias suficientes para sustentar um processo de reestruturação.
Fonte: InfoMoney – Recuperações judiciais devem manter recorde nos próximos 12 a 24 meses, diz JiveMauá Data de acesso: 5 de agosto de 2026.
Sua empresa enfrenta dificuldades de liquidez, aumento do custo da dívida ou obstáculos para renegociar passivos? Buscar orientação especializada no momento certo pode ampliar as alternativas de reestruturação e preservar a continuidade do negócio. Entre em contato para uma análise técnica do seu caso.
Email: contato@andrehummel.com.br
Telefone: (41) 98805-8779
Site: https://andrehummel.com.br/